domingo, 15 de março de 2009

Abre-se o jornal da vida real.

E aí? Vai um cafezinho?

Toda manhã ela aparecia na mesma padaria, sentava-se próxima ao balcão e pedia seu rotineiro café com pão.Abria o jornal matinal, e ia intercalando a leitura com os goles na bebida aquecida. Aquele jornal que vinha com as notícias diárias, a maioria delas problemas; relatos de vidas fragmentadas por motivos insanamente humanos; Eram gritantes os defeitos, mas ainda assim, ela vivia como se sua história fosse parar num filme hollywoodiano; Estava totalmente alheia ao que acontecia; Ria das tirinhas, se interessava pelas crônicas, pulava os esportes, sapeava pelas folhas do caderno de economia que, aliás, relatavam mais um acesso de crise nas ações. Quem se importa? Ela estava ali, saboreando um café forte feito o povo que doma as questões atuais. Um café envolvido por uma xícara de porcelana, frágil feito uma sociedade desigual, apagada feito a voz desse mesmo povo. Um café doce como as mentiras que contam hoje aqueles da politicagem e puro feito a mente das crianças que ainda acreditam no futuro da nação. Quem é ela? Uma dessas crianças. Por isso tudo é tão calmo, tão sereno. Ah sim, e o pão? Bem, esse é pra que a vida não fique tão indigesta; ele que torna tudo menos intragável; É pra segurar aqueles que tem estômago.

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