Ao buscar imagens sobre guerras, mentalizava-me no lugar daquelas pessoas, daquela gente.
Não era uma boa sensação, pode acreditar. E só de pensar que minha avó ou a mãe dela, e tantas outras avós e bisavós, e mulheres, e crianças possam ter passado por isso quando seus homens e pais foram lutar, umas certas gotas escorrem por meu rosto.
Não era, de fato, uma boa sensação.
Eu duvidava de como o homem fora insano, insensato, louco.
Mas ao ver por seus olhos, ao vestir suas fardas, até compreendia.
Ou era ele, ou seus filhos e sua mulher, que ele dizia serem sua vida.
Concluí que a insanidade do homem era bondosa. Ele trocava sua vida única, por sua vida dividida. Sabia que ia morrer, mas deixava ao mundo outros olhos pra poderem ver.
Por isso até gosto de ser louca. E de ser gente. Até.
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Explosões. O céu brilhava feito purpurina. Não, não era baile de carnaval.
Não haviam serpentinas, confetes e sorrisos. Parecia que estes eram desviados pra qualquer lugar.
O caos reinava nos olhos dos nossos filhos, e nada podíamos fazer a não ser orar.
Mas numa situação daquelas, Deus se tornou lenda. Lagrímas que não secavam, corpos mutilados.
A dor de uma mãe que teve seu filho morto pelos homens fardados de morte. Crianças a lamentar por seu pai, seus irmãos.
Culpa da guerra.
Gente que mata gente deixa de ser gente. Gente que morre também. Vira pó. Vira dor. Vira adubo. Vira nada.
A luz que, ao mesmo tempo era próxima dos olhos, tornava-se tão distante quanto a paz.
Essa era a guerra. Aos olhos dos soberanos, uma promessa de vida nova.
Por Deus que ainda restava nos crentes, se a vida se acabava ali, como poderiam renová-la ?
E o tempo passava por nós. Calavam-se as vozes. E as esperanças idem.
Eclodia o choro dos bebês, desaninhados. Tocavam em mim partes do corpo de alheios. Ou quem sabe de meu homem.
Culpa da guerra.
Éramos cidadãos, e agora viramos fumaça. Éramos gente, e agora animais insanos.
Pareciamos canibais. Eles corriam com seus quilos de metais nas costas, com principios de sorrisos, como se gostassem de matar.
E de morrer. Elas percorriam o asfalto, ou talvez as paredes, ou a terra. Era tudo igual.
Culpa da guerra.
Milhões de falecidos. Inocentes ou não. Homens ou não. Todos embaixo do muro.
Ou pelo chão. A poeira tomou conta de tudo. Fora necessária uma multidão se perder pra vermos que éramos todos iguais.
Cinzas.
Era esse o objetivo ? Calar o homem pra saber que ele é como eu, e você ?
Não, porque guerra não tem motivo, exceto o erro da morte.
Explodiam os corpos e os sonhos. O céu brilhava feito purpurina. Feito lágrimas.
Culpa do homem.
quarta-feira, 18 de março de 2009
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