Em sua viagem, ao Destrito Federal, foram tragados milhões de cigarretes.
Devido ao vício, era chamado de smoke machine. Mas ele nem ligava.
E perdia-se naquela fumaça. Literalmente.
Ele viajara quilômetros para apenas corresponder à uma proposta de emprego.
Apesar de seu defeito mais notável, era de grande respeito. Era um homem por inteiro.
Mas isso não compensava as horas à fio que ele mantinha aquele pedaço de papel maldito dentre os dedos.
Em frente ao computador, ele nem via os maços se esvaziarem. E teimava em dizer que só fora um.
Os filhos, a mulher, cansados do vício que os atingia também, decidiram tomar algumas atitudes.
Foi quando aniquilaram a nicotina da vida deles. Ou ao menos tentaram fazê-lo.
Ficara terminantemente proibida a entrada de qualquer pacotinho contendo um cigarro sequer.
Sem exceções. Podia ser o mais fraco existente. Desde um Free até um Hollywood.
Claro que não foi fácil, mas a cada vez que ele comprava, tantas outras eram queimados, cortados, sumidos.
Foi então que decidiu aceitar o emprego que citei no início.
Ele sentia-se enjaulado sem seu companheiro.
Mal ele sabia que este estava matando-o.
Chegando à Brasília, viu as luzes e logo lembrou de comprar seu maço.
Viu lanchonetes. Mais um pacote.
Viu passarinhos. Mais um.
Pessoas, praças, monumentos, o invísivel. Tantos mais.
Sentia falta da família, era óbvio.
Mas sabia que se voltasse, estaria restrito ao uso viciante daquele veneno.
E por lá ficou.
Perdeu o primeiro carro que o filho comprou.
A viagem à Disney da filha, quando esta fez 15 anos.
Os primeiros jogos de futebol do neto.
A família. As lembranças. O próprio ar.
Coisa do vício.
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