Tem dias que a gente acorda meio mal. De olhar pro mundo através da janela e ver apenas uma faixa de destino embaçada e enquadrada naquele pedaço de vidro. De parar pra refletir (não no vidro, mas na mente) e tentar descobrir pra que veio. Crises de identidade e (des)crença que nos pegam de um jeito que não dá para não pensar. Hoje foi um dia desses, pelo menos pra mim. Sentei-me na cama e fiquei, por longos minutos, fitando aquele reflexo abobalhado no espelho. Era como se eu visse uma desconhecida. Aqueles traços me traziam uma remota lembrança de um passado não tão distante, não tão esquecido. Mas ainda assim eu não reconhecia aquela imagem. Não que a figura demonstrativa não gritasse que era eu, mas o que eu via naqueles olhos pseudo-meus não era o que eu imaginava passar, na realidade. Enfim, eu não sabia quem era minha real pessoa. Por tantas vezes a gente tenta enganar ao passar uma imagem fantasiosa. Tentamos sorrir quando choramos por dentro, quando nossas entranhas estão se rebelando na mais insana dor. Humanóides mentirosos, somos nós.
A chuva começou a cair, toquei uns acordes aleatórios no violão. Não sei tocar, isso é fato, mas esse não saber não é impecilho pras tentativas desastradas. Posso não saber quem sou, mas quem não sou, ah, como sei!
Não sou cantora, dançarina, escritora, cult, pop... Não que eu seja nada, mas ainda não descobri. A chuva ainda caia, e com ela os pensamentos atordoados iam se esvaindo. Chuva que vai, e cessa. Feito minha mente, curvilínea, sem padrões. De tempos em tempos, parece minha criatividade: escassa.
Feito fantasia que, no ápice do emanar, se dá por findada deixando apenas a curiosidade.
Fantasia que, como eu, não faz sentido.
quarta-feira, 18 de março de 2009
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